Sobre Esta Edição
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Em retrospectiva, a bolha no mercado imobiliário americano, a primeira indicação do que se tornaria uma crise financeira global no quarto trimestre de 2008, deveria ter sido óbvia. Os preços dos imóveis haviam subido acima dos salários do americano médio, mas a disponibilidade de novos produtos hipotecários mais arriscados incentivou a corrida à casa própria. E, mais ainda, a inflação nos valores dos imóveis fez com que muitos proprietários de casas se sentissem ricos. Nos Estados Unidos, historicamente os preços dos imóveis sempre tiveram tendência de alta. Portanto, o que deu errado? E como o fracasso em um setor da economia americana ajudou a desencadear o que muitos têm visto como a maior crise econômica mundial desde a Grande Depressão da década de 1930? Para esta edição de eJournal USA, pedimos a seis especialistas em finanças sua opinião sobre como a crise global surgiu e exemplos de como o mundo reagirá a esse problema comum. O cientista político Mark Blyth começa relacionando seis eventos que contribuíram para a crise. John Judis, editor sênior da revista The New Republic, explica em seguida o sistema monetário internacional examinando acordos desde a Conferência de Bretton Woods em 1944 até as atuais negociações entre as nações. Charles Geisst, historiador financeiro, escreve que o aperfeiçoamento da informática, que possibilitou negociações ao redor do globo 24 horas por dia, sete dias por semana, e a facilidade de comercializar contribuíram para o problema. “Os clientes conseguiam a execução de suas operações com ações com rapidez inimaginável em meados dos anos 1990. Os volumes e o apetite para as transações pareciam não ter fim.” Quando os valores dos ativos começaram a cair, a crise no setor bancário e de seguros se deu em alguns meses. O famoso investidor George Soros defende que a regulamentação é necessária para limitar o crescimento de bolhas de ativos. Mas Soros também adverte que não se deve ir longe demais: “As regulamentações devem ser mantidas no mínimo necessário para assegurar a estabilidade.” O professor de Direito Joel Trachtman endossa o pedido por mais regulamentação junto com o aperfeiçoamento da governança corporativa. Concluindo, o professor de Economia Richard Vedder descreve a história de vários acordos de comércio e organizações internacionais e seu papel nos dias de hoje. Não faltam especialistas no mundo com opiniões sobre as causas da crise atual e as receitas para sair dela, e é verdade que um outro grupo de especialistas poderá oferecer perspectivas diferentes das aqui apresentadas. Mas talvez seja surpreendente a frequência com que determinadas ideias comuns surgem nesses artigos: que a natureza dos mercados é cíclica, que as relações comerciais globais são interdependentes e que uma regulamentação moderada do mercado é uma coisa boa. Os editores |
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