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Virgínia Busca Inovações Energéticas no Exterior

Dale Medearis

Energy Efficiency: The First Fuel

ÍNDICE
Sobre Esta Edição
Eficiência Energética: Mais Fácil Falar do que Fazer
Virgínia Busca Inovações Energéticas no Exterior
Estimulando a Eficiência a Longo Prazo
Avanços em Eficiência Energética nos EUA em 2009
O Universo Cada Vez Maior do Energy Star
Geração de Blogues para Eficiência
Uma Revolução Energética do Povo
Vampiros em Casa
Promoção da Cidadania por meio de Eficiência Energética
Empresas Petrolíferas Aderem à Eficiência
Grandes Empresas Petrolíferas Rendem-se ao Verde
Recursos Adicionais
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Lighted sign over platform, train and passengers (WMATA)
Painéis montados sobre as plataformas de trens do sistema de metrô da área de Washington, D.C. fornecem informações “em tempo real” sobre a posição dos trens ( Cortesia WMATA/Foto: Larry Levine)

Há mais de uma década, autoridades da Virgínia do Norte e seus pares da Europa trocam experiências sobre planejamento ambiental regional. A parceria vem expandindo seu foco para as políticas de atenuação de mudanças climáticas e adaptação; eficiência energética; energia renovável; e edifícios verdes.

Dale Medearis, Ph.D., é planejador ambiental sênior da Comissão Regional da Virgínia do Norte (NVRC), onde gerencia programas sobre clima, energia e programas internacionais. Antes de trabalhar na NVRC, Medearis passou cerca de 20 anos no Escritório de Assuntos Internacionais da Agência de Proteção Ambiental administrando os programas da agência para a Europa e o ambiente urbano internacional.

Centenas de milhares de vezes por dia, usuários do sistema de Metrô de Washington ficam parados na plataforma olhando para os trilhos enquanto aguardam ansiosos a chegada de um trem. Seus olhos movem-se com frequência para o painel eletrônico constantemente atualizado que fica pendurado sobre a plataforma. Ele informa aos passageiros quantos minutos levará para chegar o próximo trem e o seguinte.

No passado, os passageiros desse sistema de 170 quilômetros tinham poucas informações sobre as chegadas e partidas de trens. Agora eles têm informações em tempo real sobre a posição de trens e ônibus porque os planejadores de transportes importaram algumas ideias de cidades como Berlim e Estocolmo.

A exibição desses painéis nas estações do Metrô, a adoção de medidas para reduzir a velocidade e acalmar o tráfego e a conveniência do compartilhamento de automóveis passaram a ser parte permanente da rotina dos passageiros na região. Quando quiseram ter maior segurança nas ruas da vizinhança, moradores e pedestres do Condado de Fairfax recorreram aos projetos de ruas e rotatórias de Stuttgart, Alemanha. O plano que está em desenvolvimento transformará um cruzamento perigosíssimo em ruas agradáveis onde o pedestre poderá caminhar.

Twelve lanes of traffic in the setting sun (AP Images)
Tráfego de Washington, D.C. no sentido da Virgínia do Norte, um dos percursos mais lentos do país para os motoristas (Jacquelyn Martin/© AP Images)

Os cidadãos de Alexandria, na Virgínia, dispõem de programas de compartilhamento de automóveis nos moldes daqueles de Berlim e Zurique, que oferecem acesso confiável, limpo e acessível a automóveis sem preocupações com garagens, manutenção ou poluição. O sucesso desses esquemas não apenas melhora a mobilidade em uma região onde o transporte é problemático como também representa a influência crescente da “diplomacia branda” e a supremacia dos governos estaduais e locais como laboratórios para a transferência transatlântica de inovações para os Estados Unidos.

Compartilhando soluções

A Comissão Regional da Virgínia do Norte (NVRC) é um conselho de governos locais para os cerca de 2,5 milhões de habitantes de um estado localizado na fronteira sul da capital do país. Sua contraparte em Stuttgart, o Verband Region Stuttgart, é um conselho similar para 2,5 milhões de pessoas. Os dois órgãos desenvolveram uma parceria voltada para o compartilhamento e a aplicação de planos inovadores nas áreas de meio ambiente, planejamento e transportes. Desde 1998, o Verband e a NVRC vêm reunindo profissionais e formuladores de políticas para troca de experiências em políticas de planejamento do uso do solo, infraestrutura de saneamento básico, transporte, projetos verdes e controle de águas pluviais precipitadas. Em consequência, o planejamento ambiental na Virgínia do Norte sofreu uma transformação.

Nosso trabalho com Stuttgart — e outras regiões europeias — é fácil de justificar. No que se refere a energia, clima ou meio ambiente, algumas regiões europeias como Stuttgart superam os Estados Unidos na maioria dos indicadores de desempenho. Por exemplo, desde 1990 a Alemanha reduziu as emissões de gases de efeito estufa em mais de 8% em toda a nação. No mesmo período, de acordo com a Administração de Informações sobre Energia dos EUA, as emissões de gases de efeito estufa nos Estados Unidos aumentaram em mais de 10%. Além disso, o setor de energia renovável da Alemanha responde por mais de 12% da produção total de eletricidade e já criou mais de 250 mil empregos desde 1998. Em comparação, nos Estados Unidos a energia renovável é responsável por menos de 3% de toda a produção de energia. Estima-se que a capacidade fotovoltaica solar total instalada na Virgínia do Norte não chegue a 50 quilowatts-hora (kWh) — menos que a da estação de trem de Freiburg, Alemanha.

À medida que a Virgínia do Norte antecipa os desafios de enfrentar mudanças climáticas, equilibrar o crescimento econômico e proporcionar moradias e mobilidade aos 500 mil novos habitantes esperados para 2019 na região, o imperativo de aprender com Stuttgart e outras regiões da Europa torna-se ainda mais forte. Mais de dois terços das emissões de gases de efeito estufa em nossa região, assim como no resto do país, emanam do “ambiente construído”. Isso inclui o aquecimento e a refrigeração de casas, apartamentos, edifícios comerciais e públicos, bem como os combustíveis consumidos no transporte de passageiros de e para o trabalho. Nos Estados Unidos, os governos estaduais e locais exercem enorme influência sobre o ambiente construído — com o poder dos códigos de obras, normas de eficiência energética, licenças para energia renovável e a construção e manutenção de rodovias e do transporte público. Em poucas palavras, os governos estaduais e locais estão no centro das políticas globais sobre energia, clima e sustentabilidade. À medida que a atenção do mundo se volta para os desafios da energia e do clima, a troca de conhecimentos sobre o ambiente construído torna-se vital.

A Virgínia do Norte e Stuttgart adotaram uma série de novas medidas para facilitar a transferência e a aplicação de inovações nas políticas sobre clima e energia. Um encontro realizado em 2008 com as contrapartes alemãs em Hamburgo, Erlangen, e Stuttgart confirmou que a Alemanha pode compartilhar um grande leque de práticas e políticas com a Virgínia do Norte no curto e longo prazos. Entre elas podemos citar:

Planejamento energético da comunidade. O planejamento climático e energético na Virgínia exige a ampla adoção de projetos de eficiência energética em residências e edifícios; geração e distribuição eficientes de energia renovável e convencional; e o uso frequente de solos misturados e compactados nos centros de trânsito. Essas medidas devem ser auxiliadas por metas claras de eficiência energética e redução das emissões de gases de efeito estufa e no curto e longo prazos. O HafenCity, em Hamburgo, e o Parque Scharnhauser de Stuttgart são modelos de planejamento energético da comunidade repletos de lições para cidades da Virgínia como Alexandria e Arlington, assim como para a grande área metropolitana de Washington.

Energia renovável. O desenvolvimento e a expansão das fontes de energia renovável (eólica, fotovoltaica solar, térmica solar e aquecimento e refrigeração geotérmicos) na Virgínia do Norte podem ser intensificados por meio de incentivos governamentais, tais como os “sistemas de tarifas de compra de energia elétrica de fontes renováveis”. Na Alemanha, esses sistemas estimulam a produção de energia renovável por meio de uma taxa de compra garantida pelo governo, geralmente fixada acima das taxas convencionais.

Selos para construções com desempenho energético. A promoção da eficiência energética pode ser acelerada na Virgínia do Norte, especialmente no processo de reforma de edifícios. A exibição de selos em uma estrutura para registrar e divulgar seu desempenho e sua eficiência energética é mais uma estratégia para aumentar os esforços pela eficiência.

Reformas e financiamentos. Os governos locais da Virgínia do Norte devem considerar o desenvolvimento de um fundo de capital público que administre empréstimos a juros baixos ou sem juros para uso de energia renovável, isolamento ou climatização de residências e empresas.

Desafios compartilhados

O trabalho contínuo e as realizações das parcerias internacionais são muitas vezes ignorados no âmbito local. A mídia americana e internacional dá atenção exagerada às diferenças nos debates políticos multilaterais sobre mudanças climáticas. Mas os governos estaduais, locais e regionais exercem — e continuarão a exercer — um papel igualmente significativo no sentido de afetar as políticas sobre clima e energia sustentável. A impressionante convergência de desafios compartilhados entre as autoridades locais cria um solo fértil para a pesquisa, troca e transferência de soluções climáticas e energéticas inovadoras. A transferência dessas políticas do exterior para os Estados Unidos deve ser acelerada e tornar-se mais focada e persistente.

A globalização da economia também manterá e expandirá os laços entre cidades e estados — principalmente entre a Europa e os Estados Unidos. O comércio mútuo e os investimentos financeiros entre os Estados Unidos e a Europa superaram os US$ 4 trilhões anuais e geraram milhões de empregos. A poderosa interdependência econômica entre a Europa e os Estados Unidos sustentará o aprendizado e a troca de experiências entre autoridades estaduais e locais. Essas questões dão às autoridades dos Estados Unidos motivação para trabalhar com seus pares em outros países na busca de soluções para problemas mútuos. Essas trocas são uma forma de diplomacia branda que só pode ajudar a melhorar as relações internacionais e o entendimento mútuo entre as nações.

Conclusão

A principal assessora do presidente Obama para questões climáticas e ambientais, Carol Browner, afirma que a mudança climática é o “maior desafio que já enfrentamos”. A ciência que emergiu sugere claramente que a Virgínia do Norte não ficará imune a esses desafios. Nesse contexto, a parceria entre a Virgínia do Norte e Stuttgart pode demonstrar aos líderes que enfrentam desafios similares em outras comunidades ao redor do mundo que as parcerias e a cooperação internacionais — principalmente entre autoridades locais, interesses comerciais e organizações da sociedade civil — são não somente valiosas como também cruciais para a pesquisa e implementação de soluções para as questões climáticas e energéticas globais no longo prazo.

Energy Efficiency: The First Fuel

As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA.