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Questões Cruciais: Uma Viagem Internacional - BrasilVisão Geral sobre Diversas AmeaçasLiana Anderson
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O Brasil é um país imenso que ocupa quase a metade da América do Sul e responde pela maior parte da sua costa oriental. Embora a energia renovável responda por 47% da energia produzida no Brasil, muito acima da média mundial, o país ainda emite grande parte do total global dos gases de efeito estufa. A principal razão é o rápido desmatamento da Bacia Amazônica causado por derrubadas e queimadas. A Amazônia, maior floresta tropical do mundo, estende-se por nove países, mas sua maior parte está no Brasil. As florestas tropicais são enormes armazenadoras de carbono. Quando há desmatamento e queimadas, o dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa são liberados na atmosfera. Descobriu-se que esses gases contribuem para a mudança climática e o aquecimento global. Segundo a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), quando se incluem as estimativas de emissões provenientes de mudança no uso da terra e silvicultura (LUCF), as emissões brasileiras respondem por 12,3% do total de emissões das 151 Partes não incluídas no Anexo I da UNFCCC, fundamentalmente países em desenvolvimento que não têm metas de redução de emissões segundo o Protocolo de Kyoto.
De acordo com as estimativas, o Brasil libera por ano aproximadamente um bilhão de toneladas de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera; cerca de 75% dessa liberação tem origem no desmatamento, informa o Ministério da Ciência e Tecnologia brasileiro. Cálculos recentes indicam que a Bacia Amazônica tem uma biomassa total de 86 pentagramas de carbono, o equivalente às emissões de CO2 nos últimos 11 anos. Calcula-se que o desmatamento reduziu a Floresta Amazônica em 15% nas últimas três décadas, impulsionado pela expansão da infraestrutura nas fronteiras da floresta e pela crescente demanda mundial por soja, carne bovina e madeira. Acredita-se também que a mudança do clima aumenta a probabilidade de secas na região. A Universidade de Oxford, em colaboração com a Nasa (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço dos EUA) e cientistas brasileiros, mostrou a estreita ligação entre as secas e o aumento das queimadas florestais, que podem dobrar o volume total de carbono lançado na atmosfera. (Saatchi, Houghton, Dos Santos Alvala, Soares e Yu, 2007.) Para combater o desmatamento, maior fonte de emissões de gases de efeito estufa do país, o governo brasileiro lançou em 2008 o Plano Nacional sobre Mudança do Clima, que prevê a redução do desmatamento da Amazônia até 2017 em 70% em relação às estimativas de 1996-2005. Essa iniciativa é a principal estratégia para mitigar a mudança global do clima por meio da preservação da floresta. O plano também abriu possibilidades de cooperação financeira e política. Na Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, realizada em dezembro de 2007 em Bali, as nações concordaram em incluir pagamentos pela Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação em conformidade com as diretrizes do Protocolo de Kyoto. Entretanto, a Floresta Amazônica não é o único ecossistema a enfrentar as ameaças decorrentes da mudança climática. A extensão continental do Brasil exige uma abordagem multidimensional para adaptação e mitigação. Cientistas brasileiros e americanos, testando diferentes cenários do aquecimento global, preveem a perda generalizada de espécies no bioma do Cerrado (savanas brasileiras), com perda de mais de 50% da área potencial de distribuição de muitas espécies. O Nordeste, região mais carente do país, está ameaçado. O programa Disponibilidade de Água e Vulnerabilidade de Ecossistemas e Sociedades, colaboração entre Brasil e Alemanha, recomenda o planejamento cuidadoso dos planos de uso de longo prazo de recursos, pois o fluxo dos rios e a produção agrícola são especialmente sensíveis às mudanças climáticas. Os cientistas também preveem a escassez de água no estado do Ceará até 2025.
É provável que as mudanças do clima afetem a agricultura no Sul do Brasil, a região mais importante para o plantio de batatas, trigo, arroz, milho e soja. Embora as simulações sobre a crescente concentração de CO2 na atmosfera mostrem efeitos benéficos para essas culturas, prevê-se que os efeitos da elevação da temperatura e as incertezas quanto ao padrão das chuvas decorrentes das mudanças do clima causem grande queda na produtividade agrícola dessa região. Isso afetará o manejo de culturas e exigirá estratégias de adaptação dos produtores e do governo. Investimentos em tecnologias serão fundamentais na mitigação dos impactos causados pelas mudanças do clima na oferta de alimentos. Em contrapartida, os pequenos agricultores da Amazônia são mais vulneráveis às secas prolongadas, enchentes e aos constantes incêndios florestais associados com os padrões de mudanças do clima. Faz-se necessário um aprimoramento imediato das redes de infraestrutura, informação e comunicação para amenizar os efeitos das mudanças climatológicas nessa região remota. A saúde pública é também uma grande preocupação. Acredita-se que as mudanças ambientais modificarão os padrões de transmissão vetorial de doenças e suas áreas de ocorrência. Estudos recentes realizados no Brasil revelam aumento significativo de casos de leishmaniose, doença parasitária que pode levar à morte, disseminada pelo mosquito-pólvora nos anos de El Niño. Com a expectativa de aumento da frequência e intensidade do El Niño neste século em virtude das mudanças climáticas, é provável que aumente o número de casos de leishmaniose em várias regiões brasileiras. O custo da assistência médica para tratamento da leishmaniose durante a passagem do El Niño no estado da Bahia (região Nordeste) em 1997/98 foi estimado em US$ 62 milhões. Em resposta à extensa gama de ameaças ao Brasil que podem advir da mudança do clima, o governo e a comunidade científica já adotaram várias medidas. Redes reforçadas de colaboração científica multinacional avançaram muito o conhecimento de vários ecossistemas e suas interações com o meio ambiente e as populações humanas. Em 2008, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo lançou o Programa de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais, investindo mais de US$ 7 milhões em projetos científicos.
Atingir a principal meta do Brasil de redução das emissões de gases de efeito estufa e mitigar os efeitos da mudança climática exigem pesquisa multinacional e interdisciplinar pela comunidade científica, ação política, envolvimento dos cidadãos, ampla disseminação de informação e uma interface eficiente das políticas regional e internacional para fiscalização e consolidação. Respostas imediatas são essenciais para enfrentar essa ameaça que é comum ao mundo todo, a mudança do clima. As referências citadas estão relacionadas em Recursos Adicionais. As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA. |
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