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Questões Cruciais: Uma Viagem Internacional – Canadá

Oh, Canadá: Como Poderia Ser Bom


Zoë Caron

Climate Change Perspectives

ÍNDICE
Sobre Esta Edição
Oportunidade Decisiva
O Desafio do Século 21
Visão Geral sobre Diversas Ameaças
Oh, Canadá: Como Poderia Ser Bom
A Visão de uma Ilha: Jamaica
Abordagem das Mudanças Climáticas mediante Desenvolvimento Sustentável
Segurança por meio da Política Energética: A Alemanha na Encruzilhada
A Posição Global da Índia sobre Mudança Climática
Redução da Pobreza com Corte das Emissões de Carbono
Estratégias para Contrabalançar as Ameaças à Economia Queniana relacionadas ao Clima
Bons Esforços Nacionais e Ameaça Subestimada
Juventude Internacional: Inquieta com a Mudança Climática
As Nações Unidas Estão Prontas para Enfrentar o Desafio?
Recursos Adicionais
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A ativista e autora Zoë Caron (Foto: Tracy Morris-Boyer/Cortesia: Zoë Caron)

Zoë Caron é coautora do livro Global Warming for Dummies [Aquecimento Global para Leigos] e editora do site ItsGettingHotInHere.org. É especialista em defesa e políticas climáticas do Fundo Mundial para a Natureza – Canadá e está envolvida na coordenação do projeto Consultas sobre Energias Renováveis da Nova Escócia, realizado em conjunto pelo governo da província e a Universidade de Dalhousie, em Halifax. É também membro fundadora da Coalizão de Jovens Canadenses sobre Mudanças Climáticas.

Zoë Caron considera que as mudanças climáticas dão ao Canadá a oportunidade de empreender novos esforços no desenvolvimento de energia renovável sustentável e de mostrar vontade política para agir com vistas a enfrentar os desafios futuros.

Tirei meu iPhone do bolso para acompanhar as notícias em um parque público, a apenas alguns quarteirões de meu escritório no centro de Halifax, Nova Escócia. As manchetes contrastavam de forma gritante com a tranquilidade do lugar: “Lobby do petróleo vai financiar campanha falsa contra estratégia de mudanças climáticas dos EUA” (Guardian News); “Grupo de trabalho do Protocolo de Kyoto [fecha] com presidente (…) encorajando as partes a ‘trabalhar duas vezes mais em Bangcoc’” (Instituto Internacional para o Desenvolvimento Sustentável); “Yvo de Boer: ‘Nesse ritmo, não vamos conseguir. Mudanças climáticas graves equivalem a fim de jogo’” (Campanha Global de Ações pelo Clima).

Nada animador, mas essa é a situação do discurso sobre mudanças climáticas no Canadá. Os canadenses classificaram o meio ambiente como prioridade máxima no passado recente. Pesquisas de opinião sugerem que os canadenses estão saturados de conscientização sobre as mudanças climáticas, mas as mensagens resolveram enfatizar a vergonha, não as soluções, e nós reagimos com paralisia nacional.

O desafio mais sério apresentado pelas mudanças climáticas no Canadá é nossa antiga dependência de uma economia rica em recursos naturais — porém, com frequência, finitos. Apesar dos crescentes sinais de liderança em energia solar e eólica, continuamos a promover o desenvolvimento nas areias betuminosas do Athabasca, reserva subterrânea de petróleo maior que o estado da Flórida. A província da Nova Escócia ainda é dependente de carvão, e Ontário continua a desenvolver energia nuclear não renovável.

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Degelo do permafrost, resultado do aquecimento global, prejudica a infraestrutura em todo o Ártico. Este trecho da Rodovia Dempster nos Territórios do Noroeste do Canadá desmoronou devido ao degelo do permafrost (© Rick Bowmer/AP Images)

Contudo, temos a oportunidade extraordinária de desfrutar de uma economia que pode florescer a partir de hoje. O lixo do setor agrícola do Canadá pode fornecer combustíveis derivados de biomassa. O vento que sopra nas pradarias e na costa leste da Nova Escócia pode gerar eletricidade. Existe potencial energético solar em muitas regiões do país. As possibilidades de construção da infraestrutura para isso poderiam começar em nossas próprias cidades, criando novos empregos verdes para o país.

Como canadenses, ansiamos por um mandato público forte a favor da sustentabilidade em nível federal. Muitos jovens que viverão para ver os resultados da ação — ou inação — de hoje com relação às mudanças climáticas estão frustrados porque o governo federal parece ter outras prioridades em foco. Mas os governos das províncias assumiram o desafio: Colúmbia Britânica e Ontário criaram secretarias para as Mudanças Climáticas; Colúmbia Britânica e Quebec implementaram variantes de impostos sobre o hidrocarboneto; e Nova Escócia criou uma legislação que representa uma meta ambiciosa no que diz respeito à energia renovável.

Nosso compromisso com o Protocolo de Kyoto foi reduzido, oficialmente, às menores metas de todos os países industrializados. Felizmente, os canadenses estão preparados para agir, independentemente da resposta federal.

Até agora, os Estados Unidos são o principal parceiro do Canadá em mudanças climáticas. Talvez, de modo surpreendente, os Estados Unidos aparentem estar muito mais compromissados do que o Canadá. O investimento americano em tecnologia verde per capita é seis vezes maior do que o canadense, por exemplo. A transformação de relações “confortáveis” do status quo em engajamento com novos parceiros estratégicos em tecnologias sustentáveis oferece potencial extraordinário para a economia canadense prosperar a longo prazo.

Apesar dessa resposta dos legisladores e titulares de cargos eletivos, ou talvez por causa dela, várias comunidades — empresariais, industriais, indígenas e sem fins lucrativos — são fontes crescentes de mobilização, conscientização e propostas de soluções. A voz e a legitimidade política do movimento jovem, em especial, desenvolvem-se amplamente como resposta à inércia política. As mudanças climáticas estão entre as questões que galvanizam os jovens, simplesmente porque as ações do nosso governo não fazem sentido para nós. A reação dos jovens às decisões políticas que não apoiamos e não podemos apoiar reflete nossos valores e convicções sobre justiça e igualdade, bem como o desejo de planos e processos governamentais acessíveis, que atendam à transparência reivindicada por uma geração acostumada desde cedo com a internet.

Os jovens líderes em mudanças climáticas tornaram-se partes interessadas cada vez mais poderosas nessa área. A Coalizão de Jovens Canadenses sobre Mudanças Climáticas foi fundada em 2006 para tratar das questões políticas das mudanças climáticas. A Coalizão Ação para a Energia EUA-Canadá reúne dezenas de organizações de justiça climática. Uma rede global de jovens está trabalhando em todos os continentes para mobilizar os jovens e influenciar políticas globais. Os exemplos são muitos.

O desafio mais sério apresentado pelas mudanças climáticas no Canadá é nossa antiga dependência de uma economia rica em recursos naturais porém, com frequência, finitos.

As mudanças climáticas estão definindo a vida desta geração e das futuras. Como resolver essas questões da maneira mais rápida e eficaz aqui no Canadá, em última análise, resume-se ao fato de nosso governo atender às necessidades das gerações futuras. Embora os políticos possam ficar surpresos com uma reforma tão revolucionária, somente ela será capaz de provocar as mudanças necessárias para ações decisivas na mudança climática.

Uma solução intermediária deve ser criada para incentivar o desenvolvimento de relacionamentos contínuos e mútuos entre o governo e o público, pois é somente por meio da criação de uma cultura de participação proativa que a política verdadeiramente refletirá a voz do povo, em especial onde os riscos são altos e o relógio está correndo. Na verdade, esse permanece sem dúvida um objetivo ambicioso, mas ainda temos de obter uma resposta nacional às mudanças climáticas que seja proporcional aos riscos. Apoiados por um movimento jovem contestador, uma população bem informada e uma abundância de recursos renováveis, está na hora de deixarmos de ser humildes, modestos e educados e enfrentarmos o desafio de criar um mundo igualitário e próspero.

As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA.