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Questões Cruciais: Uma Viagem Internacional - QuêniaEstratégias para Contrabalançar as Ameaças
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Vice-presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) das Nações Unidas, Richard Odingo é especialista queniano em Ciência do Clima. Ele é professor do Departamento de Geografia da Universidade de Nairóbi. No Quênia, como em muitos outros países africanos, a sobrevivência econômica depende de ações enérgicas para enfrentar as condições ambientais relacionadas ao clima, que vão de secas severas a inundações. Odingo analisa alguns dos problemas e sugere soluções. A maior preocupação é de que, ao longo dos anos, a despeito da existência de informações sobre o clima, inclusive os alertas antecipados fornecidos pela Rede de Sistemas de Alerta Antecipado sobre Falta Extrema de Alimentos (FEWSNET), da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), os planejadores econômicos têm demorado a reconhecer os perigos que se apresentam e a necessidade de procurar meios alternativos ao gerenciamento tradicional das crises. A prova mais significativa dessa relutância em incluir as mudanças climáticas no planejamento pode ser observada no projeto de planejamento de desenvolvimento econômico Vision 2030, no qual as mudanças climáticas receberam pouca atenção e foram praticamente ignoradas. Analogamente, os planejadores de questões agrícolas ainda precisam avançar para além do fornecimento de informações acerca da variabilidade da precipitação pluviométrica anual e começar a pensar nos impactos das mudanças climáticas que estão lentamente avançando. As mudanças climáticas e o aquecimento global são apontados como futuros desafios à economia, mas não são levados em conta nos cenários previstos para 2030. No entanto, segundo o Quarto Relatório de Avaliação divulgado pelo IPCC em 2007, as primeiras ondas de aquecimento global já poderão ser sentidas na maior parte dos países da África Subsaariana em 2030. O Quênia e a maior parte dos países localizados no Chifre da África são altamente sensíveis às mudanças climáticas. Com as devastações causadas pela variabilidade e mudança climáticas, será praticamente impossível manter o crescimento econômico sustentado de 10% ao ano ao longo de 25 anos, conforme projetado no Vision 2030 queniano. O Quênia depende de energia hidrelétrica para gerar eletricidade; no entanto, esse tipo de energia é extremamente vulnerável a flutuações climáticas. Na medida em que os rios se esvaziarem devido à seca e as geleiras desaparecerem no Monte Quênia, não haverá mais garantia de água para a produção de energia hidrelétrica. Outra questão preocupante é a queda nos rendimentos agrícolas atribuível às secas. Com a aceleração do aquecimento, surgirão condições de crise. O estresse hídrico aumentará geometricamente na maior parte das áreas áridas e semiáridas.
O governo não aborda de maneira suficientemente séria as consequências da mudança climática — tampouco leva em conta os impactos da mudança climática sobre o processo de desenvolvimento. Assim, a segurança alimentar está ameaçada, bem como as perspectivas de uma produção alimentar autossuficiente. A economia sempre é afetada por considerações climáticas, e a nação ainda tem de se compatibilizar gradualmente com planos de ação de adaptação a retrações cuidadosamente calculados. O Quênia é considerado um líder entre as economias em desenvolvimento da África Subsaariana, mas a extensa produção de chá e café para exportação é realizada em detrimento da produção de alimentos; a autossuficiência em culturas alimentares e pecuária tem sido negligenciada. A seca atual no Quênia, a segunda em dois anos, é um pequeno sintoma do que é claramente um de seus piores problemas. A existência de mais de 4 milhões de pessoas em risco devido à escassez de alimentos é um indicativo da vulnerabilidade do sistema de produção de alimentos. A seca combinou-se com a escassez aguda de água para uso das populações agrícolas e urbanas e da pecuária, que além disso luta com a inexistência de pastos. A mortalidade do gado atingiu seu nível mais alto nos últimos 20 anos, e o crescimento econômico está fadado a diminuir para 2% ou menos.
O Quênia precisa da ajuda do mundo desenvolvido para ajudar a melhorar seu planejamento agrícola e tornar o desenvolvimento energético menos dependente da energia hidrelétrica e mais de recursos renováveis. É preciso planejamento econômico mais sério e financiamento adequado para ajudar as comunidades agrícolas e pastoris a suportar secas rigorosas. Redes de segurança para alimentos, agricultura e gado deveriam ser promovidas. Considerar a importação de alimentos como uma saída possível não é sensato. A importância econômica das mudanças climáticas tem de ser levada em conta em todo planejamento financeiro e de desenvolvimento. A questão da água demanda atenção urgente. Investimentos em captação de água em todos os níveis podem oferecer melhor gerenciamento ambiental para pôr fim ao desmatamento e à desvegetação, desacelerando o progresso da mudança climática. No cenário internacional, o Quênia pode se beneficiar do trabalho com outras nações. A transferência de tecnologia e o financiamento adequado em nível nacional e internacional para ajudar a reduzir a vulnerabilidade às mudanças climáticas podem fazer da adaptação uma realidade que funciona. Tornar as áreas pastoris mais produtivas e integrar as populações pastoris mais plenamente na economia nacional reforçará a autossuficiência. Em anos bons, o Quênia tem capacidade para produzir comida suficiente para sua população, que hoje ultrapassa os 35 milhões. Com o decorrer do tempo, os desafios colocados pelas mudanças climáticas serão mais difíceis de enfrentar. Não há atalhos para encontrar soluções para todos esses problemas; resta apenas um planejamento econômico sólido, que dê aos governos maneiras alternativas de responder à crise climática. As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA. |
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