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Questões Cruciais: Uma Viagem Internacional - IndonésiaRedução da Pobreza com Corte das Emissões de CarbonoHarry Surjadi
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Harry Surjadi, fundador e diretor executivo da Sociedade de Jornalistas Ambientais da Indonésia, escreveu sobre questões ambientais durante duas décadas. Formado pela Universidade de Agricultura de Bogor, escreveu para revistas e jornais e atualmente mantém um blogue sobre meio ambiente na internet. Foi bolsista do programa Knight de Jornalismo Internacional e deu workshops para jornalistas e organizações não governamentais na Indonésia. Na Indonésia, os impactos da mudança do clima serão mais intensamente sentidos pelos pobres, uma vez que climas extremos prejudicam a agricultura e disparam os preços dos alimentos. Reduzir a pobreza é um elemento fundamental das políticas sobre mudança climática, escreve Surjadi. Quantos indonésios já leram ou ouviram falar sobre o problema do aquecimento global e das mudanças climáticas? Estudos mostram que a conscientização sobre a mudança do clima está aumentando, mas principalmente entre pessoas de maior escolaridade. Segundo pesquisa da ACNielsen Omnibus realizada em seis cidades da Indonésia em fevereiro de 2007, 70% das 1.700 pessoas entrevistadas responderam que não tinham lido nem ouvido nada sobre o problema do aquecimento global. Apenas 28% responderam afirmativamente. O mesmo estudo revelou que 50% das pessoas entrevistadas atribuíram o rápido aquecimento global a atividades humanas como uso de carro ou outros usos de combustíveis fósseis. Só 24% disseram que as causas das mudanças climáticas são naturais, ao passo que 25% as atribuíram tanto a fatores naturais quanto à atividade humana. Cerca de 76% consideraram as mudanças climáticas um problema “razoavelmente sério” ou “muito sério”. Um ano depois, em março de 2008, o número de pessoas entrevistadas que tinham consciência das mudanças climáticas havia aumentado 3%, e parte significativa delas considerou o problema muito sério. Os meios de comunicação de massa conscientizaram com sucesso essas pessoas de que a mudança do clima é uma grave ameaça à Indonésia.
Mas será que os 43 milhões de agricultores, pescadores e outros moradores locais que dependem da floresta leram ou ouviram falar sobre mudanças climáticas? Será que os 32,5 milhões de indonésios que vivem abaixo da linha de pobreza já leram ou ouviram falar sobre aquecimento global e mudança climática? Provavelmente não. Caso contrário, se perguntassem a eles “Quais as ameaças mais graves da mudança climática para a Indonésia?”, a resposta seria escassez de produtos de necessidades básicas. A maior preocupação deles é o aumento da pobreza e a falta de alimentos e água, quer isso ocorra em decorrência da mudança climática ou por outras causas. Estudos mostraram também que o aquecimento global aumentará a frequência e a intensidade das secas e das inundações em diversas áreas. Três grandes El Niños, em 1973, 1983 e 1997, provocaram secas severas na Indonésia. Centenas de arrozais perderam as colheitas por causa das secas. Centenas de milhares de pessoas que vivem em mais de 50 vilarejos em Central Java Regency enfrentam atualmente escassez de água limpa em razão do agravamento de uma seca persistente. Condições climáticas extremas afetam a agricultura e podem elevar os preços dos alimentos básicos, como o arroz, importantes para os lares pobres. Os indonésios que ganham menos de US$ 2 por dia serão os primeiros a sofrer, e o número de pessoas pobres aumentará. A pobreza é a maior preocupação da Indonésia, e a mudança do clima aumentará o número de pessoas pobres e agravará o estado de pobreza. Enquanto isso, a Indonésia continuará emitindo dióxido de carbono (CO2). Em 2005 a Indonésia já era o terceiro maior emissor de CO2 do mundo, atrás dos Estados Unidos e da China, com emissões de 2,2 gigatoneladas, ou bilhões de toneladas, de CO2 por ano. Estudo realizado pela McKinsley and Company, empresa de consultoria para o Conselho Nacional sobre Mudanças Climáticas (CCNC) do governo indonésio, previu que as emissões de gases de efeito estufa do país aumentariam 2% ao ano. De acordo com o secretário-geral do CCNC, Agus Purnomo, calcula-se que as emissões saltarão para 2,8 gigatoneladas de CO2 em 2020 e 3,6 gigatoneladas em 2030, caso a Indonésia não tome providências. As principais fontes de emissões — responsáveis por 80% do total de emissões estimadas para 2030 — são o desmatamento das florestas e dos pântanos de turfa, os transportes e as usinas elétricas. O setor de silvicultura contribui com 850 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2e) por ano. A taxa de desmatamento é em torno de 1 milhão de hectares por ano, o que resulta na emissão de 562 milhões de toneladas de CO2e. A degradação das florestas é responsável por 211 milhões de toneladas de CO2e ao ano. E incêndios florestais respondem por 77 milhões de toneladas de CO2e. Segundo o estudo da McKinsley, a Indonésia teria potencial para reduzir as emissões em 64%, ou o equivalente a 2,3 gigatoneladas de CO2, até 2030 com a adoção de 150 programas diferentes voltados para os setores de silvicultura, turfa e agricultura.
É evidente que os países desenvolvidos podem ajudar a Indonésia a mitigar a mudança climática. O CCNC, com base no estudo da McKinsley, recomendou cooperação bilateral com países desenvolvidos em programas para deter ou reduzir o desmatamento e incentivar o reflorestamento. O estudo estimou o custo da redução de emissões no setor de silvicultura em cerca de 7 euros (aproximadamente US$ 10) por tonelada de CO2 equivalente. Para implementar programas de redução de emissões em torno de 1,1 bilhão de toneladas de CO2 equivalente ao ano, a Indonésia precisaria de um financiamento de US$ 10,8 bilhões. Mas o governo precisa assumir a responsabilidade e agir com rapidez. “Leva cinco anos para [o governo] fazer as mudanças. Nesses cinco anos precisaremos de ajuda externa. Os outros países devem mostrar o dinheiro. Dinheiro é a ferramenta política mais fácil para obter resultados reais e rápidos”, disse Purnomo em entrevista recente. Os países desenvolvidas deveriam garantir que cada dólar ou euro que investirem será destinado não apenas para a mitigação das mudanças climáticas, mas também para proteger os indonésios da pobreza. A redução da pobreza é a principal meta de todos os programas de redução de emissões. “Afinal de contas”, segundo Purnomo, “o governo da Indonésia só pode criar o ambiente propício”. As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA. |
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